Padre Clovis celebra 30 anos de ordenação: “Sou afrobaianbucano” - Unicap

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null Padre Clovis celebra 30 anos de ordenação: “Sou afrobaianbucano”

Publicado Por: Daniel França

A comunidade jesuíta celebrou, no fim da tarde desta terça-feira (19), uma missa de ação de graças pelos 30 anos de ordenação sacerdotal do Padre Clovis Cabral. Em função da pandemia e por fazer parte do grupo de risco, a celebração foi restrita aos jesuítas na capela da residência oficial.

A trajetória de Padre Clovis é marcada pelo diálogo inter-religioso. Uma vocação descoberta ainda na infância. Ele nasceu no bairro de Maçaranduba, na periferia de Salvador, numa família que fundou e dirige até hoje o Terreiro de Candomblé Ylê Axé Ogunjá Tiluaiê Orubaia, que tem como patrono o Orixá Ogum. A lógica da nomenclatura é algo semelhante a como as igrejas católicas são denominadas, como por exemplo, Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

“Essa religião tem orientação matriarcal e o terreiro começou com a minha avó, depois seguiu com a minha mãe”, conta Clovis que conviveu o tempo todo com o catolicismo. “Percorri o itinerário religioso comum a toda criança do meu tempo: catecismo, primeira comunhão e me crismei na Igreja da escola paroquial onde nasci, mesmo sendo filho de uma Yalorixá. Naquele tempo, por parte dos adeptos do Candomblé, não havia nenhum tipo de incompatibilidade”.

A paróquia do bairro onde Padre Clovis nasceu tem como padroeira Nossa Senhora da Piedade e foi dirigida pelo Padre José Leal juntamente com a mãe de Padre Clovis, dona América Cabral, e outra jovem educadora, Ocridalina Madureira, que ficaram amigos. “Eles eram jovens e lutaram juntos por melhorias para o bairro. Eles conseguiram água encanada e energia elétrica, por exemplo. Os três sempre trabalharam muito pelo bem da comunidade e foi nesse ambiente que eu cresci”, relembra ao mencionar que José Leal foi o responsável pela paróquia por 48 anos.

Ainda criança, Clovis conheceu o jesuíta José Maria Gardenal, um missionário italiano que havia iniciado um trabalho educativo junto às populações mais empobrecidas da região conhecida como Alagados de Salvador. “Mais tarde, os jesuítas ampliaram o trabalho missionário e construíram nessa localidade uma das primeiras (se não a primeira!) “Comunidade Religiosa Inserida” junto aos pobres do Brasil: A casa deles (Padres Geraldo Coelho de Almeida, João Pedro, Antonio Barônio, Antonio Pecchia e o Irmão Elias, entre outros) transformou-se no ponto de encontro da juventude. Eles eram muito bem informados sobre a realidade brasileira e engajados socialmente. Esses jesuítas nos ensinavam que não se pode separar a “fé e a promoção da justiça”. Muitos deles colocaram suas vidas em perigo ao combaterem a ditadura militar e se engajaram no processo de redemocratização do Brasil”, relata Clóvis.

O modo como aqueles jesuítas abraçavam a luta pela justiça contribuiu para Padre Clóvis se tornar militante no movimento estudantil e foi aí que essa presença evangélica e solidária desses missionários despertou nele a vocação. “O estilo de vida dos jesuítas me encantou, era o que eu queria”. E assim Padre Clóvis entrou na Companhia de Jesus em 1978, passou por todas as etapas preparatórias até ser ordenado em 19 de janeiro de 1991, “mas a nossa formação é permanente, nunca acaba”, alerta ele.

Um relacionamento que Padre Clovis faz questão de enfatizar que é marcado pela gratidão. “Minha vocação possui uma dimensão simbólica, por ser um jesuíta negro e a Companhia nunca se opôs a isso. A Igreja e a Companhia sempre foram uma mãe para mim. Sinto-me em casa! Coloquei entre as minhas causas o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial”.

Nessas três décadas, Padre Clovis fez um caminho pedagógico se orientando pela educação para a cidadania ativa. Já foi professor, membro de diretoria de colégio, educador social e coordenador pedagógico. Tudo em prol do “combate ao racismo estrutural e da promoção da educação para as relações étnico-raciais”.

Foi com essa bagagem que ele desembarcou na Universidade Católica de Pernambuco em 2008 para ajudar a organizar a 1ª Semana da Consciência Negra. “Não poderia deixar de agradecer, nem de mencionar a ajuda e a liderança de Jorge Arruda, um homem extraordinário”. Padre Clóvis já conhecia a Católica por ter passado 40 dias na Unicap durante a Páscoa de 1978. Mas a vinda definitiva para a Unicap foi em 2009. Ao longo desse período, colaborou na formulação e criação do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), sendo seu atual coordenador.

“Aqui na Unicap, amadureci como homem, como padre, como jesuíta. A Unicap é um lugar sacramental para mim! Tenho uma dívida de gratidão para com a cidade do Recife e o bom povo pernambucano: Deus lhes pague!”, agradece ele. E o jesuíta cidadão honorário de Vitória de Santo Antão ainda diz que ter nascido na Terra do Axé e viver na Terra do Frevo faz dele um “Afrobaianbucano”.

Mensagem de Padre Clóvis

Amigos, amigas, companheiras, companheiros,
Um bom fim de tarde com muito Axé!
“Deus não é injusto, para esquecer aquilo, que estais fazendo e a caridade que demonstrastes em seu nome, servindo à comunidade... A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da vida, segura e firme”. Com essas palavras do texto de Hebreus (6,10), a primeira leitura é proclamada na liturgia de hoje (19/1/2021), continuando o Salmo 111: “Louvem a Deus! Como são maravilhosas as coisas que Ele faz... Ele não nos deixa esquecer as suas obras maravilhosas”.  A Liturgia da Palavra é coroada com as palavras de Jesus (Marcos 2,23-28): “O sábado foi feito para o ser humano e não o contrário”.

Essa Palavra nos recorda “que o Evangelho é o destino de toda a história...; História de Deus, na história da humanidade”.  
Quantas “Lições” para aprender: A vida de uma pessoa vale na medida em que ela “é para as demais”...; Importa em tempos tão sombrios continuar “tecendo” a Esperança e conjugando em nossas práticas político-pedagógicas, o verbo “Esperançar”...; Em tempos de tanta injustiça, insistir afirmando: a Justiça (do Reino de Deus) precede a lei.
Animado por esta Palavra, eu convido vocês para se unirem comigo (quem puder daqui há pouquinho, às 18h00h)para agradecermos pelos meus 30 anos de vida de padre.

Ao longo desses TRINTA ANOS, tenho tanto para AGRADECER... A Deus, a cada uma, cada um de vocês: DEUS LHES PAGUE!
19/1/1991 – 19/1/2021
Pe. Clovis Cabral, SJ

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